Penso ser fundamental perguntar para aprender e saber. Por isso, não posso deixar de começar por fazer duas perguntas que se me impõem e aguardam resposta.
Como marcar a diferença, no tentar ver objectivamente o que falta e o que, subjectivamente, apreendemos que nos faz falta, na nossa terra?
É preciso inquirir, aprender e saber ouvir todos, ...sem qualquer excepção.
Que fazer, para além da “ambição”, “progresso e solidariedade” da crise que mina soberania nacional e qualidade mínima de vida?
Palavras e promessas repetidas, como todos sabem, leva-as o vento que passa… Sou partidária das acções que afinal de contas nos definem, e pouco crente em discursos, panfletos e comícios, embora reconheça a verdade do povo, de que “é a falar que a gente se entende”.
Em Carrazeda de Ansiães, somos actualmente poucos, cada vez menos, (7246 eleitores e 14 freguesias) tendência que podemos e temos de ousar inverter, porque embora poucos, somos resistentes e temos do nosso lado, algumas e não pequenas vantagens.
Precisamos de saber revivificar e rentabilizar uma longa tradição de forte identidade fronteiriça, um rico património local a preservar, a história longa de um dos mais antigos concelhos de Portugal, sempre afirmada em defesa da sua independência, recursos naturais na região do Tua e Douro – paisagem cultural e património mundial, reconhecidos - , trabalho e inteligência humana, localização estratégica afirmada nas regiões entre Trás-os-Montes e Alto Douro, vocação e capacidade para fazer as mudanças necessárias para que valha a pena visitar, trabalhar e viver em Carrazeda.
Como diz o meu neto mais velho, criança citadina de 7 anos, “Carrazeda é uma cidade pequena mas muito interessante” ; o mesmo que, com apenas 3 anos já observava “que esquisito, vó, uma estrada no meio dos montes que vai dar ao céu?!...”
Também eu quando criança, nas noites soalheiras de verão, aprendia com o meu pai, ferreiro e tocador de violino, a encontrar no firmamento “o sete estrelo”, notando que aqui o céu está mais pertinho das nossas cabeças, espanto que guardo como desafio a inquirir-me constantemente.
Continuo apologista da nossa velhinha e sábia lição de que “o trabalho do menino é pouco mas quem o desperdiça é louco”
Foi neste espírito de consonância, orgulho e admiração pela minha terra e seus obreiros exemplares, sempre presentes, que, nas últimas eleições autárquicas de Carrazeda de Ansiães (2009-2013), enquanto candidata independente na lista do PS, fui eleita como deputada à Assembleia Municipal – importante órgão deliberativo de soberania autárquica, a que cumpre dar voz activa e interveniente, face aos problemas e anseios das populações do concelho, “controlando” em seu nome e fiel representação, os actos do poder executivo camarário.
Procurei aí cumprir com isenção e intervenção activa o mandato que me foi confiado pelo voto dos munícipes meus conterrâneos a quem, penhoradamente, agradeço a confiança, o muito que pude aprender sobre a vida, problemas e meios do concelho e o que também me foi possível fazer, sobretudo pelo magistério de influência crítica e interventiva de que nunca me demiti.
Em idêntica posição me encontro nestas eleições autárquicas para os próximos anos 2013-2017, em que as mulheres representam ainda apenas 27,7% do total de eleitos no poder autárquico nacional, mas agora, penso, já mais experiente, melhor conhecedora das virtualidades e constrangimentos do concelho, suas freguesias e populações naturais e/ou residentes e mais determinada ainda a encontrar e fazer valer as melhores soluções para os mesmos.
Assim quero partilhar aqui convosco, duas ideias força, simples, mas que como todas as coisas simples, podem ter o poder de influir e frutificar.
A primeira é o desejo que manifesto, simbolicamente falando, de um
1. Casamento feliz entre as duas metades do concelho: a “ribeira” e a “frieira”.
Para unir de facto, em harmonia e mais-valia recíproca, as duas metades da nossa identidade de fronteira: a “ribeira”, por um lado, nas margens dos rios que nos circundam onde se localiza parte substancial das nossas energias - barragens e quintas de Vinho do Porto, tratado e comercializado há séculos por ingleses, escoceses e outros estrangeiros, que queremos como autênticos aliados e, por outro lado, a “frieira” que marca o planalto que também nos define e centraliza a rede de bens públicos e serviços,
é preciso aprendermos quanto antes a prática constante do “Pensar globalmente, agir localmente”.
Esta é uma frase já bem conhecida que marcou a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento realizada no Brasil (Rio-92, com a presença de muitos países do mundo, um dos mais importantes instrumentos que serve de modelo para se tentar compatibilizar o desenvolvimento económico com a justiça social e a preservação ambiental. Esse documento contém consensos e propostas para que os países tomem medidas para garantir a conservação e o uso dos recursos naturais através de actividades de forma sustentável, em relação aos padrões de produção e de consumo e para uma melhor qualidade de vida para as atuais e futuras gerações.
Servimo-nos aqui dessa frase porque define bem o caminho da desejada internacionalização das nossas terras, já individualmente aberto pelos nossos emigrantes de ontem e de hoje. Essa abertura ao mundo, a partir do local que em certo sentido, já o contém em muitos aspectos, continua a faltar e faz-nos falta. É uma espécie de guia de planeamento e acção concertada na diferença, que trata de transformações culturais e de valores, identifica problemas, propõe soluções, faz estimativa de custos de investimento para conseguirmos a mudança efectiva e profunda rumo ao nosso desenvolvimento integrado e participado por todos.
2. A segunda ideia chave do meu pensamento é a de afirmar as vozes que por uma ou outra razão se encontram mais silenciadas, como a das mulheres, para referir apenas um dos exemplos mais falados, embora, contraditoriamente, silenciados
Precisamos de ter a “ambição” do “progresso e solidariedade”, mas também e antes de mais, a humildade democrática de reconhecer quem somos, os lugares que ocupamos e onde estamos com suas exigências e obrigações, para poder cumprir o nosso papel de cidadãos activos com os deveres e direitos que a cada um de nós cabe.
E como mulher que sou, revejo retrospectivamente o desempenho da administração local autárquica, pós 25 de Abril de 1974, em Carrazeda de Ansiães.
Muito caminho se fez, muito continuou esquecido e soterrado “nas brumas da memória” que é preciso resgatar para ser feito, mas muito mais há ainda por fazer, encruzilhadas em que estamos, espero e desejo que prontos e decididos a contribuir para fazer
acontecer as mudanças que foram sendo sempre, neste já longo percurso, adiadas, desbravando novos e múltiplos caminhos e luzes bruxuleando ao fundo dos túneis.
A participação feminina ocupava há bem poucos anos atrás, menos de 10%, (24905 mulheres em 276.068 homens e mulheres) nos últimos 23 anos (de 1982 a 2005), num total de 308 municípios e 4261 freguesias, universo hoje grandemente reduzido pela reforma administrativa centralmente ditada e imposta que extinguiu, arbitrariamente, centenas de freguesias, “praga nacional” que atacou também o nosso concelho, como outrora a filoxera, moléstia das videiras que viria mais tarde a ser factor de expansão vitivinícola, no Douro Superior.
Incluo-me, conscientemente e com orgulho, nessa pequeníssima fatia, por direito próprio e luta independente continuada, há mais de 40 anos da minha trajectória política.
Por educação e formação, que devo sobretudo a meus pais, carrazedenses empreendedores, justos e solidários que souberam sempre e nos ensinaram a fazer jus á memoria e trabalho de seus, nossos antepassados, ponho como sempre, os meus deveres cívicos à frente dos meus direitos por que não deixo também de pugnar, com lucidez, pertinácia, elegância e respeito pelos demais.
Simplesmente, nunca me demito, nem demitirei, das minhas responsabilidades públicas, tento sempre ser exemplo, substituindo as palavras por actos, penso e observo, criticamente, mais do que critico ou falo, e sobretudo exijo de mim como espero de todos outros."
Por Otília Lage, candidata da lista à AM do PS
Como marcar a diferença, no tentar ver objectivamente o que falta e o que, subjectivamente, apreendemos que nos faz falta, na nossa terra?
É preciso inquirir, aprender e saber ouvir todos, ...sem qualquer excepção.
Que fazer, para além da “ambição”, “progresso e solidariedade” da crise que mina soberania nacional e qualidade mínima de vida?
Palavras e promessas repetidas, como todos sabem, leva-as o vento que passa… Sou partidária das acções que afinal de contas nos definem, e pouco crente em discursos, panfletos e comícios, embora reconheça a verdade do povo, de que “é a falar que a gente se entende”.
Em Carrazeda de Ansiães, somos actualmente poucos, cada vez menos, (7246 eleitores e 14 freguesias) tendência que podemos e temos de ousar inverter, porque embora poucos, somos resistentes e temos do nosso lado, algumas e não pequenas vantagens.
Precisamos de saber revivificar e rentabilizar uma longa tradição de forte identidade fronteiriça, um rico património local a preservar, a história longa de um dos mais antigos concelhos de Portugal, sempre afirmada em defesa da sua independência, recursos naturais na região do Tua e Douro – paisagem cultural e património mundial, reconhecidos - , trabalho e inteligência humana, localização estratégica afirmada nas regiões entre Trás-os-Montes e Alto Douro, vocação e capacidade para fazer as mudanças necessárias para que valha a pena visitar, trabalhar e viver em Carrazeda.
Como diz o meu neto mais velho, criança citadina de 7 anos, “Carrazeda é uma cidade pequena mas muito interessante” ; o mesmo que, com apenas 3 anos já observava “que esquisito, vó, uma estrada no meio dos montes que vai dar ao céu?!...”
Também eu quando criança, nas noites soalheiras de verão, aprendia com o meu pai, ferreiro e tocador de violino, a encontrar no firmamento “o sete estrelo”, notando que aqui o céu está mais pertinho das nossas cabeças, espanto que guardo como desafio a inquirir-me constantemente.
Continuo apologista da nossa velhinha e sábia lição de que “o trabalho do menino é pouco mas quem o desperdiça é louco”
Foi neste espírito de consonância, orgulho e admiração pela minha terra e seus obreiros exemplares, sempre presentes, que, nas últimas eleições autárquicas de Carrazeda de Ansiães (2009-2013), enquanto candidata independente na lista do PS, fui eleita como deputada à Assembleia Municipal – importante órgão deliberativo de soberania autárquica, a que cumpre dar voz activa e interveniente, face aos problemas e anseios das populações do concelho, “controlando” em seu nome e fiel representação, os actos do poder executivo camarário.
Procurei aí cumprir com isenção e intervenção activa o mandato que me foi confiado pelo voto dos munícipes meus conterrâneos a quem, penhoradamente, agradeço a confiança, o muito que pude aprender sobre a vida, problemas e meios do concelho e o que também me foi possível fazer, sobretudo pelo magistério de influência crítica e interventiva de que nunca me demiti.
Em idêntica posição me encontro nestas eleições autárquicas para os próximos anos 2013-2017, em que as mulheres representam ainda apenas 27,7% do total de eleitos no poder autárquico nacional, mas agora, penso, já mais experiente, melhor conhecedora das virtualidades e constrangimentos do concelho, suas freguesias e populações naturais e/ou residentes e mais determinada ainda a encontrar e fazer valer as melhores soluções para os mesmos.
Assim quero partilhar aqui convosco, duas ideias força, simples, mas que como todas as coisas simples, podem ter o poder de influir e frutificar.
A primeira é o desejo que manifesto, simbolicamente falando, de um
1. Casamento feliz entre as duas metades do concelho: a “ribeira” e a “frieira”.
Para unir de facto, em harmonia e mais-valia recíproca, as duas metades da nossa identidade de fronteira: a “ribeira”, por um lado, nas margens dos rios que nos circundam onde se localiza parte substancial das nossas energias - barragens e quintas de Vinho do Porto, tratado e comercializado há séculos por ingleses, escoceses e outros estrangeiros, que queremos como autênticos aliados e, por outro lado, a “frieira” que marca o planalto que também nos define e centraliza a rede de bens públicos e serviços,
é preciso aprendermos quanto antes a prática constante do “Pensar globalmente, agir localmente”.
Esta é uma frase já bem conhecida que marcou a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento realizada no Brasil (Rio-92, com a presença de muitos países do mundo, um dos mais importantes instrumentos que serve de modelo para se tentar compatibilizar o desenvolvimento económico com a justiça social e a preservação ambiental. Esse documento contém consensos e propostas para que os países tomem medidas para garantir a conservação e o uso dos recursos naturais através de actividades de forma sustentável, em relação aos padrões de produção e de consumo e para uma melhor qualidade de vida para as atuais e futuras gerações.
Servimo-nos aqui dessa frase porque define bem o caminho da desejada internacionalização das nossas terras, já individualmente aberto pelos nossos emigrantes de ontem e de hoje. Essa abertura ao mundo, a partir do local que em certo sentido, já o contém em muitos aspectos, continua a faltar e faz-nos falta. É uma espécie de guia de planeamento e acção concertada na diferença, que trata de transformações culturais e de valores, identifica problemas, propõe soluções, faz estimativa de custos de investimento para conseguirmos a mudança efectiva e profunda rumo ao nosso desenvolvimento integrado e participado por todos.
2. A segunda ideia chave do meu pensamento é a de afirmar as vozes que por uma ou outra razão se encontram mais silenciadas, como a das mulheres, para referir apenas um dos exemplos mais falados, embora, contraditoriamente, silenciados
Precisamos de ter a “ambição” do “progresso e solidariedade”, mas também e antes de mais, a humildade democrática de reconhecer quem somos, os lugares que ocupamos e onde estamos com suas exigências e obrigações, para poder cumprir o nosso papel de cidadãos activos com os deveres e direitos que a cada um de nós cabe.
E como mulher que sou, revejo retrospectivamente o desempenho da administração local autárquica, pós 25 de Abril de 1974, em Carrazeda de Ansiães.
Muito caminho se fez, muito continuou esquecido e soterrado “nas brumas da memória” que é preciso resgatar para ser feito, mas muito mais há ainda por fazer, encruzilhadas em que estamos, espero e desejo que prontos e decididos a contribuir para fazer
acontecer as mudanças que foram sendo sempre, neste já longo percurso, adiadas, desbravando novos e múltiplos caminhos e luzes bruxuleando ao fundo dos túneis.
A participação feminina ocupava há bem poucos anos atrás, menos de 10%, (24905 mulheres em 276.068 homens e mulheres) nos últimos 23 anos (de 1982 a 2005), num total de 308 municípios e 4261 freguesias, universo hoje grandemente reduzido pela reforma administrativa centralmente ditada e imposta que extinguiu, arbitrariamente, centenas de freguesias, “praga nacional” que atacou também o nosso concelho, como outrora a filoxera, moléstia das videiras que viria mais tarde a ser factor de expansão vitivinícola, no Douro Superior.
Incluo-me, conscientemente e com orgulho, nessa pequeníssima fatia, por direito próprio e luta independente continuada, há mais de 40 anos da minha trajectória política.
Por educação e formação, que devo sobretudo a meus pais, carrazedenses empreendedores, justos e solidários que souberam sempre e nos ensinaram a fazer jus á memoria e trabalho de seus, nossos antepassados, ponho como sempre, os meus deveres cívicos à frente dos meus direitos por que não deixo também de pugnar, com lucidez, pertinácia, elegância e respeito pelos demais.
Simplesmente, nunca me demito, nem demitirei, das minhas responsabilidades públicas, tento sempre ser exemplo, substituindo as palavras por actos, penso e observo, criticamente, mais do que critico ou falo, e sobretudo exijo de mim como espero de todos outros."
Por Otília Lage, candidata da lista à AM do PS











